Na Copa das Confederações 2017, mesmo sem a seleção brasileira em campo, quem tem acompanhado os jogos está vendo uma novidade na arbitragem que já foi testada no Mundial de Clubes, do ano passado.

O recurso do vídeo servirá para ajudar os juízes em lances duvidosos. Mas, assim como foi no Mundial de Clubes, já tivemos alguns atrasos e muita falta de preparo dos árbitros que, ainda, demonstram estar completamente perdidos.

Para falar sobre esse assunto, o reportagem do F4L trocou uma ideia com o ex-árbitro de futebol e comentarista dos canais Esporte Interativo, Alfredo dos Santos Loebeling.

Loebeling (segundo, da direita para a esquerda) e toda a equipe no programa +90 dos canais Esporte Interativo (Divulgação/EI)

NOVA TECNOLOGIA NOS JOGOS DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES

“Eu acho que a tecnologia pode vir para ajudar o futebol, mas não podemos esquecer que existe o ‘fair play’. Ou seja, ela tem que servir para todos. Entende? Não adianta querer, por exemplo, que tenha telão nos estádios que não se tem nem condição de gramado para jogar um futebol de qualidade. Na minha opinião, essa tecnologia só será aprovada quando todos, realmente, possam colocar para que haja sempre essa igualdade. Senão não terá o menor sentido”.

ARBITRAGEM ESTÁ SE ACOSTUMANDO COM A INOVAÇÃO

“Na verdade, o que está acontecendo é que a arbitragem não está sabendo usá-la ainda. Não está bem definido quando será usado e qual o tempo ela tem para definir se foi ou não gol. O que tem que ter cuidado é que isso não seja usado para alguns clubes ganharem tempo de jogo. Por exemplo, o treinador ‘desafia mas, na verdade, ele quer é ganhar tempo e acaba exprimindo o adversário. Isso acaba prejudicando o decorrer da partida. Por isso que a arbitragem tem que entender como funciona a tecnologia e também se acostumar com esse novo momento”.

Nestor Pitana contou com o auxílio do árbitro de vídeo para anular gol irregular de Portugal (Franck Fife/AFP)

DEMORA NA DECISÃO DE SER GOL OU NÃO

“Com relação a essa decisão de gol anulado ou não, cria-se uma certa expectativa, realmente. E para esse ponto eu faço uma crítica pois a decisão tem que ser tomada rapidamente para não gerar uma insatisfação na arquibancada. Essa expectativa é muito perigosa. Foi gol… não foi… a gente pode fazer um parâmetro na época que existia o ‘golden goal’. A FIFA acabou com essa regra porque era a morte, literalmente. Quer dizer que não se tinha nenhuma chance… foi gol, acabou. Agora imagina um jogo decisivo, com duas torcidas briguentas em uma situação dessa e o árbitro leva três minutos para decidir o gol. Fica aquela ansiedade, angustia e ele decide pelo gol. Se existir decisão contrária, esses torcedores poderão agir de forma violenta. Então é bem complicado”.

TECNOLOGIA NO BRASIL

“O futebol brasileiro tem que evoluir em muitas coisas antes de ser usada essa tecnologia no país. Temos que trabalhar primeiro com a qualidade e limpeza dos estádios, com o conforto para o torcedor, com a qualidade dos gramados, com a punição às organizadas, dentre outras coisas. Eu acho que essa questão da tecnologia aqui, a menos que todos sejam obrigados pela FIFA, ela vai ficar mais para frente. Vimos que o próprio presidente da comissão de arbitragem, o coronel Marinho, não está nada satisfeito com a questão do árbitro adicional no Brasil. Os caras ficam atrás do gol assistindo os jogos e não participando dos jogos e isso, realmente, é muito ruim para o futebol brasileiro”.