De acordo com um levantamento publicado pela CBF no começo deste ano, aproximadamente 1.630 jogadores saíram do Brasil para atuar no exterior em 2017 e o F4L teve a oportunidade de conversar com um deles, o zagueiro Gustavo Carbonieri, do Hajduk Split, da Croácia.

Em pouco mais de três meses, a vida do paulistano virou completamente. Afinal, no começo do ano ele estava atuando pelo Rio Preto, no Campeonato Paulista da Série A2, e, pouco meses depois, estava incumbido de marcar nada menos que Wayne Rooney, ex-jogador do Manchester United e lenda do futebol inglês.

Imagem relacionada

É dessa maneira que Gustavo Carbonieri comprova que o futebol é uma montanha-russa de sentimentos e oportunidades. Confira a entrevista completa do zagueiro e saiba mais sobre um dos destaques do Hajduk Split:

1- Como foram os seus primeiros passos no mundo do futebol?

Fala galera do 4Linhas, primeiramente quero parabenizar vocês pelo trabalho que estão fazendo e agradecer pela oportunidade de contar um pouco sobre minha história..

Nasci em São Paulo, na capital, e desde os 6 anos venho chutando bolas por aí, comecei na escolinha próximo de casa “Multi Sport”, aos 10 anos fui para o campo na escolinha do Santa Marina e comecei a fazer avaliações nas equipes grandes de SP.. não era aprovado, mas não desisti, até que fui aprovado na Portuguesa onde fiquei dos 11 aos 13 anos.

Disputei um campeonato paulista sub-15 pelo Osasco, em seguida fui para o Juventus da Moóca, onde fiquei por dois anos e disputei minha primeira Copa São Paulo, já com 17 anos fui para Ponte Preta onde disputei o campeonato paulista sub-20 e mais uma Copa São Paulo.

Logo após fui para o Salgueiro, de Pernambuco, onde disputei meu primeiro campeonato brasileiro da Série B e comecei minha carreira profissional, passando por Rio Branco de Americana, onde conquistei meu primeiro título como profissional, Central de Caruaru, Penapolense, Bragantino, Tombense, Santa Clara de Portugal, Rio Preto e hoje estou no Hajduk Split da Croácia, essa é um pouco da minha “curta” carreira até aqui…

2- Quando atuou pelo Bragantino, você marcou um dos gols que classificou o time contra o São Paulo na Copa do Brasil de 2014. Foi um dos jogos mais especiais da sua carreira? O que você guarda daquele dia?

Sem duvidas, está entre os 3 jogos mais especiais da minha carreira até agora. Aquele dia 13 de agosto de 2014 estará sempre na minha memória, não só pelo fato de ter feito gol, que ajudou na nossa classificação, mas, por ter feito a melhor partida da minha vida, onde talvez muitos ainda duvidavam do meu futebol.

Então, é um dia que sempre vou lembrar com muita alegria e como uma resposta aos que não acreditavam em mim.

3- A sua primeira experiência no futebol europeu aconteceu no Santa Clara, de Portugal. Fale sobre a sua adaptação e o que você tirou do período que esteve no clube?

Posso dizer que foi até mais fácil do que esperava, pelo fato da língua, pela cidade maravilhosa que é Ponta Delgada e por ter sido recebido muito bem. Foi um período muito bom, onde consegui ter uma boa sequência de jogos e pude adquirir um pouco mais de experiência, tanto dentro, como fora de campo. Sou eternamente grato ao Santa Clara por ter aberto as portas para mim na Europa

4- Atualmente você está atuando pelo Hajduk Split, da Croácia. Como foi o seu primeiro contato com os companheiros de clube? Houve alguma barreira pela diferença de idioma e de cultura?

Sim, aqui na Croácia já tive mais dificuldades para me adaptar pelo fato de não saber inglês, muito menos croata rs

Mas fui muito bem recebido por todos do clube, e isso me deu mais tranquilidade. Quando cheguei tinha um brasileiro que já jogava aqui há 2 anos, alguns dias depois ele acabou saindo, mas para um primeiro contato com os demais companheiros acabou me ajudando muito.

O fato do treinador ser espanhol, também acabou facilitando um pouco dentro de campo. Quanto à cultura posso dizer que é bem parecido com o nosso Brasil, povo bem receptivo, comidas muito boa, e aquela praia que todos brasileiros gostam rs

5- O Hajduk Split é um dos times mais tradicionais do futebol croata e conta com a torcida organizada mais antiga da Europa. Qual a sua visão sobre a relação dos torcedores com o clube?

Foi uma surpresa para mim, sabia da tradição do clube, da torcida, mas não sabia dessa paixão que eles tinham. Comparecem em todos os jogos, seja onde for, sempre apoiam e como todo time grande também cobram.

Mas, é uma paixão inexplicável entre clube e torcida. Me sinto honrado e privilegiado de poder fazer parte dessa grande equipe.

6- Você teve a oportunidade de jogar uma Liga Europa e de marcar o consagrado Wayne Rooney. Como foi essa experiência?

Resultado de imagem para gustavo carbonieri

Inexplicável. Três meses antes estava disputando um campeonato paulista da série A2 pelo Rio Preto, com todo respeito ao clube e a competição, sonhava com um momento desse, mas não tão rápido como aconteceu. Somente agradeço a Deus por me proporcionar esses momentos!

7- Como está a sua recuperação após a lesão que teve logo na sua chegada ao futebol croata? Qual a sua expectativa para o restante da temporada 2017/2018?

Agora estou na fase final de recuperação, recuperando o condicionamento físico, voltando a treinar com bola, em breve estou de volta aos jogos. E a expectativa para o restante da temporada é a melhor possível, poder voltar a ajudar meus companheiros, dar sequência ao excelente final de anos que tivemos e continuar na briga pelos títulos da liga e da copa.

8- Por tudo o que você já viveu no futebol brasileiro e pelo que pôde acompanhar desde a sua chegada. Quais são as principais diferenças do futebol brasileiro para o europeu?

Profissionalismo e Obediência tática, que é o ponto que eles mais priorizam por aqui, não que no Brasil não tenha, mas vejo que é uma das principais diferenças do futebol europeu para o futebol brasileiro na atualidade.

9- Como os seus companheiros croatas enxergam o Brasil e o futebol Brasileiro? Eles fazem perguntas sobre o nosso país? Existe alguma curiosidade?

Infelizmente veem o Brasil como um país violento, pois é o que a mídia mostra. Porém muitos dizem ter vontade de conhecer, eles perguntam sobre as praias, carnaval, comidas, existe muita curiosidade da parte deles!

Em relação ao futebol todos concordam que é o melhor do mundo e admiram os jogadores brasileiros.

10- O que você faz para matar a saudade do Brasil? Como é a sua rotina fora dos treinamentos? O que é possível aproveitar na Croácia?

Imagem relacionada

WhatsApp, FaceTime, televisão rs e minha noiva sem dúvida, que sempre esteve comigo e foi essencial durante a minha recuperação, e que faz aquele arroz, feijão e farinha que só no Brasil tem rs

Fora dos treinos procuro descansar, tenho aulas de inglês, vídeo game e procuro aproveitar a culinária croata, e os lugares incríveis que Split e as cidades próximas tem para explorar.