Após 15 anos da realização da Copa do Mundo, sediada por Japão e Coréia do Sul, o estádio construído para sediar a abertura da competição passou por uma enorme transformação em seu interior. Visto de fora, os 58 mil metros de construção parecem apenas um estádio comum, mas por dentro a coisa é bem diferente do habitual.

Entrada para o complexo de cinema (Paulo Roberto Conde/FolhaPress)

Segundo matéria publicada pela Folha de São Paulo, os administradores da arena, visando o lucro e o lazer da população, tiveram a ideia de lotear os interiores com atrativos. O principal empreendimento é um supermercado chamado Home Plus, em que a empresa paga, aproximadamente, 20 milhões de reais pelo aluguel.

Outro grande estabelecimento presente na arena são 10 salas de cinema, que também pagam aluguel pelo espaço. Um museu também foi inaugurado com atrativos como tornar-se goleiro e treinar dribles com óculos de realidade virtual, cada atração custa o equivalente a R$ 41,00.

Interior da Arena de Seul (Paulo Roberto Conde/FolhaPress)

O gestor, Man-Kyu Lee, comentou, em entrevista cedida à Folha de S. Paulo, que essa arena é a única dentre as 10 construídas que funciona no azul, ou seja, que acarreta lucros. São gastos 13 milhões por ano para gerir toda a arena, e mesmo assim, ouve um lucro de aproximadamente 27 milhões de reais. Segundo Lee, desde o princípio, a ideia era que a população pudesse usufruir do espaço, haja vista a localização, que se tornou residencial e muito populosa. E o que foi programado obteve sucesso.

Elefantes brancos de 2014        

O Brasil está, mais do que nunca, incluído na pauta das arenas utilizada na Coréia do Sul e Japão. Para a Copa do Mundo de 2014 foram construídas arenas em cidades como Manaus, Cuiabá e Brasília, onde os campeonatos locais não são, nem de longe, o suficiente para suprir os gastos mensais.

Arena Pantanal (Getty Images)

Na arena de Brasília, segundo dados divulgados pelo estadão, o prejuízo gira em torno de R$ 500 milhões, e poderia ser maior se recentemente não tivesse alugado uma parte da arena para dois órgãos de administração estadual, o que traz uma leve diminuição nos custos.

Na Arena Pantanal o problema é bem parecido. Os custos giram em torno dos R$ 700 milhões, e a renda não chega nem aos 10%, ou seja, R$ 70 mil. O campeonato local é incapaz de arcar com custos desse tamanho, na final de 2016, por exemplo, a renda foi de apenas R$ 167 mil reais, isso dá uma grande noção do tamanho do prejuízo.

Arena Amazônia em dia de Copa do Mundo, algo raríssimo após o fim do evento (AP)

Vale salientar que estamos citando apenas as arenas construídas para a Copa do Mundo. Algumas obras de infraestrutura construídas para a realização dos jogos Olímpicos, como o próprio parque olímpico, são muito pouco utilizadas. O Maracanã, totalmente reformado para os jogos, até pouco tempo atrás estava em estado deplorável e, recentemente, voltou a ser utilizado para jogos.

Maracanã em estado deplorável no começo de fevereiro deste ano (Foto AP)

Que as autoridades brasileiras sigam o exemplo de Seul e utilizem, da melhor maneira possível, os até então elefantes brancos de 2014.